Vinho Tardio

Quando a realidade em que estamos inseridos se torna insuportável, nós passamos a nos alimentar de esperança. Esta expectativa passa a nutrir nossa alma do sentimento de que as
circunstâncias em que estamos inseridos mudem. cada dia acordamos na expectativa de que experimentemos uma profunda mudança do lugar do sofrimento para o lugar do refrigério. Por isso, não existe dor maior do que a da esperança que não se cumpre com o passar do tempo. A frustração de não conseguirmos deixar para trás o sofrimento nos acomete profundamente. Queremos acordar do pesadelo que estamos vivendo, mas a ausência de um mundo melhor parece não nos alcançar.

Nosso sentimento é o de que estamos sozinhos neste deserto. Entretanto, esta é a realidade de milhões de pessoas por todas as partes do mundo, ao longo de suas histórias. Esta também foi a realidade de homens de Deus que são relatadas na Bíblia. Gostamos de observar os milagres e as experiências de homens como Moisés no Egito, Daniel na cova dos leões e João na ilha de Patmos. Mas
não queremos partilhar das dores que eles sofreram até ver a esperança se tornar realidade. Com certeza, eles sofriam pela espera do nascimento da esperança que morava em seus corações. Eles ansiavam ver o povo de Deus liberto da opressão de seus inimigos. Ao mesmo tempo em que os seus olhos contemplavam a ausência da alegria, muitas vezes ouviram a morte rugir dentro da escuridão da noite. A realidade que se apresentava diante de seus olhos era a de que eles iriam sucumbir ante a força da noite. Em muitas ocasiões, eles ficaram completamente sozinhos à espera de um milagre. E quando estavam imersos na antítese de sua esperança, eles puderam contemplar o nascimento do milagre pela ação da poderosa mão de Deus, que nunca desampara seus filhos. Foi desta maneira que Jesus iniciou seus milagres em Caná da Galileia, em um casamento. Acredito que aquele casamento não era a de uma família rica, porque o vinho acabou de forma abrupta, sem que pudessem tomar qualquer providência. Também não era uma família sem posses, porque seus convidados receberam vinho. Vinho era alegria. Com certeza, eles não conheciam plenamente o seu convidado chamado Jesus. Eles não sabiam do impacto que sua presença traria para um dos momentos mais importantes de suas vidas. Na antiguidade, os casamentos aconteciam muito cedo. As famílias de um mesmo clã prometiam que seus filhos se casariam entre si quando crescessem. O casamento era a ocasião de uma vida. A festa de casamento era uma grande celebração. Uma celebração que, no caso daqueles noivos, havia terminado sem que eles tivessem tomado conhecimento. Tudo que havia sido planejado se desfizera sem que eles pudessem impedir o desastre. O vinho acabou! Entretanto, Jesus estava naquela festa. Ele pode transformar a rotina em celebração. O vinho que Jesus criou era e sempre será aos olhos humanos um vinho tardio, inesperado, inexplicável e incompreensivelmente melhor do que tudo que se havia experimentado até o momento. Este vinho sempre surge quando Jesus é convidado para sair da periferia de nossas vidas e tomar parte do centro de nossa maior alegria. Quando nossos recursos se esgotam, o que chamávamos de festa se torna um fracasso. Deus está pronto para trazer para nossas vidas uma alegria que é inexplicável e que advém de Sua presença ao nosso lado. Uma alegria que se tornará a nossa força em meio a um mundo que está fora de controle. Uma alegria que é tê-lo conosco.

“Tendo o mestre-sala provado a água transformada em vinho (não sabendo donde viera, se bem que o sabiam os serventes que haviam tirado a água), chamou o noivo e lhe disse: Todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora.” João 2.10,11

Eli Moreira

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