Um rio impossivel

Um grande rio parece nunca se cansar. Ele serpenteia por planícies e vales e vai transformando toda a região por onde passa. Os bichos se alegram ao seu redor. As árvores parecem permanecer para sempre, intocáveis e rmes como o sol. Porém, em alguns anos, quando o grande astro resolve brilhar, enquanto, os ventos e a chuva se retiram, as águas do grande rio vão desaparecendo lentamente. Em lugares, onde sua in urgência era perceptível, o rio deixou de existir. Os bichos fugiram. As pequenas árvores repletas de verde, agora são somente uma recordação em tons de cinza.

O amor é como água. Ele é capaz de mudar tudo que é seco e sem graça. A alegria toma conta de tudo por onde ele passa. Ele traz juventude e vida para os velhos e moribundos. Basta que as chuvas de sua presença molhem a terra e tudo se renovará. Entretanto, a vida humana nos traz a falta de água, de compreensão, de afeto que evita que o nosso coração renasça. Muitos iniciam suas vidas cheios de esperança de que, o mundo seja mais generoso. Sonham com estrelas e sóis que inventem novos mundos cheios de bondade, de comida e vida nova para que cresceu sem contato com as ores que, nascem gratuitas e enfeitam as casas de gente simples que aprendeu a sonhar. O deserto é o lugar onde uma grande massa de de pessoas é afastada do mundo dos sonhos infantis: de ter uma família onde seus pais se amem e tratem seus lhos com amor e dignidade. Ali esperamos que sejam gerados os grandes amores que são capazes de regar o mundo inteiro. José foi arrancado de sua casa que era um ambiente de muita chuva serena e de afetos abundantes. Cores não faltavam para suas roupas, Havia espaço para sonhar e declarar seus sonhos. Não são muitas casas onde se encontra uma luz tão bonita como aquela que brilhava na casa do menino mais novo de uma família muito grande e estranha. Junto com as ores nasceram a inveja que é espinho que se espalha até que não haja mais condições da alegria se aproximar. A inveja vinha da ausência das cores que, as roupas de seus irmãos possuíam. Por isto, eles resolveram mandar seu irmão para longe, para que, cores e sonhos deixassem de incomodá- los e gerar diferenças de tons e temperaturas que, as pessoas acostumadas com a dureza não conseguem tolerar. Seus irmãos planejaram um futuro terrível para o jovem José - morte em alguns anos debaixo da escravidão e das cargas do Egito. Debaixo de gritos desesperados e súplices, ele não pode vencer as amarras da escravidão, até que, toda a paisagem que ele conhecia como lar desapareceu de sua memória e de todo o horizonte de seus olhos. Quanto mais tentava se livrar das amarras que o haviam detido, mais para dentro da escravidão ele penetrava. Primeiro, respirou a esperança de viver dias melhores na casa de seu primeiro dono. Depois de, acusado injustamente foi recolhido a um cárcere escuro e sombrio. Até que a esperança se tornou uma pequena luz num lugar fechado. Afinal, o rio iria ceder diante da secura do deserto para onde a vida humana nos conduz? Desde cedo, precisamos aprender que água verdadeira não é uma miragem. Quando ela existe nada pode detê-la, a água é o amor, um rio impossível que uirá através de terras secas e desertas para mudar o mundo, para trazer de volta a vida, as cores e as fragrâncias da expectativa de que, Deus pode e tudo fará por aqueles que con am nele e esperam pelo tempo da chuva. Por fim, a chuva chegou! José tornou-se esperança. 

“Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida.” Gênesis 50.20

Eli Moreira

Continuar lendoVoltar para a home