Restauração

O preconceito se inicia numa estrada aparentemente deserta e sem sinalizações. Neste lugar, acreditamos que não hajam pessoas que nos estejam recriminando. Para olhos desatentos, não há restrições. Não há opositores. Podemos pensar e fazer aquilo que acreditamos ser correto. Começamos a trilhar esta estrada e descobrimos rapidamente que não existe um lugar onde não sejamos julgados. As pessoas estabelecem o que é correto e são implacáveis com aqueles que violam os princípios morais de sua sociedade. 

Quando alguém cai e se dirige para a margem da sociedade, ele se perde dos princípios que regem os homens daquele lugar. Dificilmente, ele achará o caminho de retorno. As pessoas não perdoam determinados erros. Elas não aceitam que gente ruim vire gente boa. Elas não acreditam que isto seja possível. E elas jamais colaborarão para que isto aconteça. Ficarão de olhos fechados para esta gente! Esta era a história de Zaqueu. Ele cobrava impostos para os inimigos de Israel. O povo de Israel considerava o judeu que se sujeitava a este trabalho como um inimigo de sua nação. Eles acreditavam que, além de inimigos eles eram ladrões. Cobravam mais imposto do que deveriam cobrar. Possuíam uma condição financeira muito acima da maioria dos judeus. Eram remunerados pelo povo invasor. Desta forma, quando assumiam esta função maldita passavam a ser excluídos da vida em sociedade e deixavam de ter um nome respeitado pelo seu povo. Eram gente à margem e maldita. O preconceito é multidirecional. Ele não somente está presente na vida de uma sociedade, mas, atinge o coração daquele que errou e foi marginalizado por ser diferente dos padrões de um grupo social. Quando alguém recebe o preconceito sobre si, aceita-o como uma pena ou punição. Ele passa a carregar um fardo muito cruel e, é expulso da vida entre os homens para viver o inferno na terra. Esta era a história de Zaqueu, até que ouviu falar de Jesus e decidir vê-lo. Entretanto, por causa de sua estatura, ele não conseguiu se aproximar o su ciente. Por esta razão, subiu numa árvore para ver a Jesus ainda que a distância. O que é de se admirar é que ele estava tão disposto a se encontrar com Jesus e com suas palavras que, não se importou em ser ridicularizado por quem o visse em cima de uma árvore. Quando Jesus estava em baixo da árvore onde Zaqueu observava o mestre, ele dirigiu a sua palavra ao cobrador de impostos. Ordenou-lhe que descesse depressa e que, naquele mesmo dia se hospedaria em sua casa. Jesus não lhe propôs um tratamento longo e demorado para que pudesse ser aceito. Ele não pediu opinião para a multidão. Ele afirmou que naquele dia entraria em sua casa. Mesmo quando a multidão quis dar mais informações sobre a razão pela qual o Mestre não deveria se hospedar com aquele homem, Jesus manteve a sua palavra. A presença de Jesus abriu espaço para reparação. Zaqueu resolveu reparar qualquer prática escusa que tivesse realizado. Resolveu ressarcir qualquer pessoa que ele houvesse
lesado e, resolveu fazer isto muito acima do que a lei determinava. Jesus se hospedou no coração de Zaqueu, o qual, viu nas palavras de Jesus a oportunidade para reparação de sua consciência, ferida por seus erros. O publicano encontrou em Deus resposta para o preconceito dos homens - uma nova oportunidade para sua vida. Jesus afirmou que naquele momento houve salvação em sua vida e na vida de sua casa. Sua história nunca mais seria a mesma. Ele hospedou permanentemente a Jesus. 

“Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém hoje em tua casa.” Lucas 19.5

Eli Moreira

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