Raízes

É inevitável que, no fim de cada ciclo de nossa vida, meditemos acerca de quais deverão ser as realizações da próxima etapa. No
começo de cada ano, após a conclusão de um curso de longa duração, quando passamos por uma mudança de atividade profissional, nosso olhar para o futuro fica carregado de expectativas e esperanças, repleto de alvos e metas que ainda
não alcançamos. Os sonhos enchem os nossos pulmões do ar do dia que ainda não nasceu.

Sofremos quando a visão do céu do dia de amanhã tem as previsões de tempestades e de intempéries, para as quais, não sabemos se estaremos preparados. Vivemos um tempo de certezas duvidosas: religiões radicais que estão matando milhares de pessoas em nome de seus deuses. Um mundo onde ditadores ainda se perpetuam no poder por uma vida inteira. Crises financeiras assolam as casas das pessoas mais pobres. Fome, miséria, doenças sem tratamento e a ausência de educação para as crianças são algumas das realidade que milhões de brasileiros terão que enfrentar num futuro repleto de incertezas. Para onde devemos olhar? Quais serão as realizações que encherão o nosso coração de felicidade e, quais realizações serão somente um investimento de tempo e de vida que não produzirão nenhum resultado? Dirigimos o nosso olhar para alvos que preencham as nossas mais profundas expectativas. Procuramos referências que tragam sentido para nossa vida. Ficamos fascinados com a altura das grandes árvores e com a sua capacidade de ignorar as condições adversas e se manterem intactas. Sua força seduz o nosso olhar. viver nos lugares mais altos. Como nos sentiríamos se pudéssemos alcançar os sonhos mais altos e ali permanecer? Passamos a medir o esforço e o tempo que precisamos para atingir o topo do mundo dos homens à espera deste momento de alegria. Existe um fato inegável- a vida humana gira em torno das conquistas que um homem é capaz de acumular. O reconhecimento público nos impulsiona para conquistas que ainda nem sonhamos em obter. Mas, quais são as conquistas que deveríamos almejar? Quando alguém observa uma grande árvore geralmente não imagina quantos metros de profundidade tem suas raízes. Olhamos sempre para o alto pensando sobre como elas conseguiram esta estatura, mas, não pensamos em quanto esforço e durante quanto tempo elas se dirigiram para os lençóis de água subterrâneos. Quanto tempo levaram para buscar as fontes que nenhum dos animais que vivem em seus galhos são capazes de enxergar? Alcançaram grandes estaturas porque passaram a possuir raízes profundas que foram capazes de sustentá-las contra os fortes ventos, contra as grandes tempestades. Suas raízes proporcionaram que, elas pudessem enfrentar os grandes períodos de seca, continuando com suas folhas verdes porque encontraram as grandes fontes de águas. Agora, eu me sinto iniciando um novo ciclo de vida. Decidi que a direção que, quero buscar para minha vida não será a grandiosidade das realizações, mas, a profundidade que minhas raízes deverão possuir em direção ao meu Criador. Preciso que Ele mate toda a minha sede. Preciso de alimento que me auxilie na caminhada em busca de respostas para as grandes perguntas de minha existência. Se eu precisar crescer, preciso crescer em direção a Deus. Obter aplausos, elogios, ou me ver em lugares altos, já não são capazes de me sustentar num mundo que, não sacia minha fome e minha sede de sentido e de direção. Preciso da Água da vida!

“Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas,que, no devido tempo, dá o seu fruto,e cuja folhagem não murcha;e tudo quanto ele faz será bem sucedido.” Salmo 1.3

Eli Moreira

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