Pontes Partidas

Não podemos usufruir de uma vida nova porque constantemente estamos presos aos vínculos de nosso passado. Evidentemente, os elos que nos ligam ao que se passou determinarão a perpetuação do que deveríamos ter abandonado. Mas, por algum motivo, não pudemos deixar para trás o que acabou se tornando um peso que nos paralisou diante da novidade que poderia ter feito parte de nossa história. Simplesmente, não conseguimos mudar! Por que os vínculos com a escuridão que habita no nosso passado são tão poderosos? Por que nos sentimos tão fracos para enfrentar os fantasmas do fracasso que nos assombram? Por que preferimos fingir que esquecemos as velhas histórias que nos fizeram sofrer e abandonamos a possibilidade de viver uma nova história?

As dores não se esvaem tão rapidamente em comparação com a chegada das alegrias passageiras que nos rodeiam por tantos momentos de nossa vida. Por muitas vezes, temos a sensação de que a dureza e os sofrimentos serão mais constantes e mais fortes do que os abraços e os sorrisos que desapareceram na fumaça do tempo. Por outro lado, continuamos investindo em paixões que nos acostumamos a chamar de amores, as quais acreditamos que durarão por toda a vida, mas eles se foram sem que pudéssemos nos despedir destes fortes sentimentos, destas direções que se mostraram um beco sem saída. Andar com Deus nos colocará frente a frente com a nossa história e com as nossas escolhas. Novos afetos espirituais se oporão às paixões e escolhas que nos levaram a descaminhos e à desorientação. Este caminho nos apresentará o novo homem que iremos nos tornar. Um novo homem que precisará de planos e projetos que não irão perecer como desejos fugazes e efêmeros. Enquanto caminhamos pela fé em direção aos planos de Deus, pontes serão partidas, caminhos de volta deixarão de existir. Não poderemos retornar porque não existe mais nada para nós no lugar que deixamos para trás. Agora aspiramos a algo superior. O que se desvaneceu não irá ocupar o nosso coração e não será a jornada que escolheremos trilhar. O amor e a misericórdia divina também trabalharão em nossa memória. Se assim não fosse, nosso sofrimento não teria fim. Se Deus não trabalhasse no nosso coração para mudar nossas referências e os desejos de nosso coração, continuaríamos presos ao lugar de um passado sem a Sua presença. Deus não nos faz esquecer. A perda da memória é a manifestação de nossa degeneração, ela não expressa a maneira de Deus agir. Ele manifesta sua graça para tratar com as consequências de nossos pecados e enganos. O amor divino nos apresenta um novo mundo de esperança em relação ao lugar de onde saímos. Por esta razão, aquele lugar deixou de ser a nossa referência, deixou de ser a morada de nosso coração. Nosso coração não deseja viver mais naquele lugar de ausência do propósito divino. De tanto desejarmos andar com Deus e viver ao seu lado, a terra do desespero deixou de ser o nosso lar. Não queremos deixar de ver o nascer do sol. Não queremos viver olhando para o que se desfez em nossos braços. Andando com Deus aprendemos a deixar para trás tudo que Ele não planejou para nós. Sua pátria agora é a nossa pátria, mesmo que não saibamos tudo sobre este novo lugar, nós o preferimos a qualquer lugar que um dia chamamos de lar, somente por uma razão: Deus está e estará conosco. Ele é a fonte de toda a vida que está fluindo em nós. Marchamos para lá.


“Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade.” Hebreus 11.14-16

Eli Moreira

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