O lugar da cura

A tentativa humana de domínio sobre o sobrenatural assumiu muitas formas durante a história da humanidade. As tribos primitivas a denominavam de uma espécie de magia profunda que os xamãs e feiticeiros diziam dominar. Os necromantes prometiam se conectar aos mortos, afirmando haver um poder e uma força além da morte, poder que eles diziam controlar.Adoradores dos astros acreditavam que estes corpos celestes têm poder para influenciar e dirigir a vida dos homens que vivem abaixo destes poderes. Debaixo de suas orientações, os homens comuns poderiam usufruir de sua influência e ainda se relacionar com as forças invisíveis do universo. 

Cada uma destas crenças espirituais orienta seus seguidores sobre como dominar as forças que comandam o universo. Em sua opinião, estas forças divinas podem ser comandadas pelos homens, para vencer o destino cruel que está à sua espera. Sua crença será coroada com a felicidade de dirigirem suas próprias vidas, vencendo os males que se encontram no mundo espiritual. O desejo de domínio sobre o sobrenatural também atingiu as religiões chamadas cristãs e inclusive as religiões evangélicas. Não é incomum ouvir ensinos cristãos que afirmem que os fiéis devem fazer declarações que determinarão o que acontecerá em seu presente e imediatamente sobre o seu futuro. Estas crenças estão ligadas ao conceito de que a fé também é a afirmação de um pensamento positivo sobre o que sucederá aos que creem. O universo da crença não era diferente nos dias de Jesus. Aqueles dias eram dias cerimoniais. O templo, os sacerdotes e sua função de mediar a purificação do povo, as diversas leis que os judeus acresceram à sua religiosidade constituía sua devoção. Não seria incomum esperar que, a presença de Jesus e seus milagres fossem vistos como uma ação mágica para mudar a vida das pessoas. Eles se lançavam em sua direção para serem curados. Tocavam em suas vestes. Pediam audiências para que as mais diversas solicitações fossem atendidas. Os judeus daqueles dias também estavam à procura de milagres que indicassem que a divindade habitava em seu meio e os estava abençoando. Por esta razão, a palavra deste centurião, descrita acima, contrariava e continuará contrariando tudo que as pessoas comuns consideram como sendo religião. Em primeiro lugar, ele não precisava da presença física de Jesus para que seu servo fosse curado. Ele sabia que a autoridade divina não é exercida num único lugar e por movimentos humanos mágicos. Deus não precisa tocar em alguém para curá-lo. Ele não precisa nem de médicos para realizar a cura que desejar. Em segundo lugar, quando Jesus se aproximou de sua casa, ele pediu a Jesus que mandasse uma palavra para que seu rapaz fosse curado. Ele compreendia que Deus exerce seu poder através de Sua palavra. Deus não se contradiz. Ele não pode ser comprado por favores humanos. Ele não aceita ordens. Ele compreende a vida além dos patamares que nós entendemos da vida. Ele está além do tempo. Acima dos corpos limitados dos seres humanos. Somente Ele tem autoridade para determinar o que desejar. O centurião cria na autoridade de Deus. Autoridade que se resume à simples palavra que sai de Sua boca.

“Manda com uma palavra...” O povo de Deus precisa voltar a crer que todo o propósito de Deus se cumpre em Sua palavra. Não há outra direção. Não existe felicidade ou resposta fora de sua palavra. Por isso, devemos emudecer para receber a Sua palavra que é a verdadeira cura. “Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado.” Lucas 7.7

Eli Moreira

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