Mar de Perdão

A morte por cruz era a tortura cabal. A forma mais agressiva que os homens da idade antiga foram capazes de criar, para dar cabo da vida de um inimigo. Além da crueldade com que os que foram sentenciados à morte eram tratados, o objetivo desta sentença era deixar claro para todos aqueles que os vissem pendurados entre a vida e a morte que aquelas pessoas eram consideradas malditas. Eles haviam recebido aquela sentença de morte porque eram desprezíveis, inimigas do estado ou haviam praticado males que nenhuma sociedade deveria ser capaz perdoar. 

A cruz levava o sentenciado a morrer por asfixia. Os pregos eram fixados no punho daquele que fora crucificado, para que, ele pudesse continuar fixado ao madeiro numa agonia que parecia não ter fim. Os pés eram pregados sobrepostos, de maneira que o fora crucificado formasse a figura de um s. Em sofrimento, o sentenciado precisava se manter o mais ereto possível para poder respirar. O peso das pernas sobrecarregava a musculatura abdominal que, cansada, tornava-se incapaz de manter a respiração. Agonia sobre agonia! Quando Jesus foi crucificado, suas primeiras palavras foram - perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem. Estas palavras me zeram pensar sobre como reagimos à agressão, a intimidação, a vingança, ao sofrimento extremo que os inimigos nos impõem. Como pedir a Deus que perdoe aqueles que estão nos fazendo sofrer? Cremos que eles são desconhecedores do mal que estão realizando? Creio que não fazemos estas afirmações porque não acreditamos nelas. Não acreditamos que aqueles que fazem o mal, não o fazem deliberadamente. pessoas que nos prejudicaram não sabem exatamente o que estavam fazendo e não tem clareza de como planejaram nos prejudicar. O fato é que não entendemos o significado destas palavras de Jesus! Também, não compreendemos como o mal trabalha em nossos corações. Nós não entendemos como a amargura nos conduz em direção as trevas. Queremos esquecer histórias que nos zeram sofrer. Acreditamos que o sofrimento se abrigou em algum lugar desconhecido dentro de nosso peito, onde não somos capazes de encontrá-lo. Sentimos um desconforto, cada vez que, nos lembramos de acontecimentos que se referem a traição, engano, desconsideração, abandono e as nossas frustrações. Não conseguimos compreender como o
que Jesus afirmou pode ser a verdade: eles não sabem o que fazem. Mas, o fato é que nós nos perdemos de Deus e de seus caminhos. Fazemos escolhas que demonstram que não sabíamos o que estávamos fazendo. Depois de entrar por rodovias de decisões que considerávamos acertadas, não nos perdoamos por ter cometido erros tão grosseiros. Nós nos culpamos por ter acreditado em pessoas e em ilusões que pareciam ser a verdade. Nós precisamos de Deus. Sem Ele estamos perdidos em incertezas que achamos que nos conduzirão ao caminho da plenitude. Jesus sabia o que afirmava. Não sabemos o que estamos fazendo. As pessoas que nos fazem o mal, também não sabem o que estão fazendo. Muitas vezes, elas estão buscando seus próprios interesses e, por esta razão são capazes de ter qualquer tipo de atitude. Jesus nos ensinou que o perdão é o caminho para uma nova vida ao lado de Deus. Precisamos navegar pelo rio do perdão até o chegar ao destino que Deus planejou para nossas vidas. Precisamos de perdão para nós mesmos e para nossos semelhantes. Um mar de perdão, de vida. 


“Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa- lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes.” Lucas 23.34

Eli Moreira

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