Depois do Tempo

Tecemos planos e estabelecemos um prazo para que eles tomem forma. Na maioria das vezes,esperamos até muitos anos, depois do tempo que inicialmente previmos para atingir determinado alvo. Passado este prazo inicial, continuamos aguardando mais um pouco, para que nossos sonhos se concretizem. Durante estes meses,anos, nossa espera se torna amarga, aparentemente inútil porque sentimos que o tempo se passou e nós não obtivemos a vitória.O homem mais admirado pela nação judaica teve sua vida resumida a uma espera sem fim. Uma espera desesperada por liberdade.Espera que aparentemente não resultou em nada. Os anos de sua vida se transformaram em décadas. 

Após oitenta anos, ele estava no meio do deserto apascentando ovelhas porque não podia fugir do ofício de sua vida. Por razões que eram difíceis de entender, ele foi criado no palácio de faraó, ao passo que, todos os dias, seus irmãos eram mortos debaixo das cargas do Egito. Aprendeu com o que havia de melhor do ensino no Egito: arquitetura, governo, retórica e outros conhecimentos que fariam dos príncipes instrumentos de glória para a nação.Quanto a ele, só queria o seu povo. A glória que almejava era a sua liberdade. No ápice de sua vida, ele esperava ser um instrumento desta liberdade para todo o seu povo. Não conseguiu! Não conseguiu ser compreendido pelos seus, e não conseguiu criar caminhos para esta liberdade que não fossem através da espada. Matou um egípcio que agredia um judeu e teve que fugir do Egito. Fugiu para sobreviver. Mas o tempo não foi piedoso. Ao invés do palácio, dos rostos jovens e das novidades, via constantemente os arbustos cansados do deserto. Ele os observava sem que houvesse qualquer mudança. Tudo parecia o mesmo, exceto a morte que sempre ronda o deserto. Nada se transformava em algo novo. As areias pareciam ter o poder de apagar as pegadas. O passado foi ficando distante, os sonhos adormeceram, a liberdade fora conquistada, mas a que preço? Como ser livre, quando as pessoas que um dia amou ainda continuavam debaixo de uma servidão sem fim? Um dia, depois do tempo, sem que ele esperasse, uma chama se acendeu. Uma chama que ardia num arbusto comum. A sarça queimava, mas mantinha sua forma e cor. Qual o significado deste sinal? Deus o visitou. Ordenou ao seu coração que olhasse para a sarça e não deixasse que sua esperança se consumisse. Apresentou-se a ele como o Libertador de Israel. Falou ao seu coração e lhe fez promessas. O caso é que depois do tempo é muito difícil ouvir até os melhores sonhos falarem conosco. Não somos capazes de ouvir e, muito menos, de marchar em direção ao destino tão esperado. Ele aguardou que seu povo entendesse que, no fundo de seu coração, ele tinha a expectativa de ser o libertador. Mas depois de tantos anos no deserto... Qual tipo de libertador um velho seria capaz de ser? Deus lhe disse: eu libertarei o meu povo. E você será o meu porta-voz. Eu lhe direi que maravilhas realizarei e você me representará em meio à nação mais poderosa da terra. Antes você vivia se preparando belicamente para libertar o meu povo. Tinha toda a ciência do Egito a seu favor. Morava com a elite da nação. Olhava para o relógio do tempo à espera de uma insurreição. Agora, vestido de roupas simples, você representará o Senhor do universo. Não será general de tropas, mas um pastor de ovelhas. Você não lhes dirá o que devem fazer para se libertarem, você lhes comunicará que eu sou a liberdade. O tempo que você estabeleceu para esta obra se acabou, agora se inicia o meu tempo. Suas forças se esvaíram, agora o meu poder se manifestará através de você, meu servo.

"Ora, Moisés cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele; eles, porém, não compreenderam." Atos 7:25.

Eli Moreira

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