A referência

Desde o começo da história da humanidade os mares eram vistos como um empecilho para alcançar novas terras em busca da sobrevivência e da expansão do domínio de seu reino. Nestes tempos ancestrais, a travessia dos mares era uma aventura de proporções que nós temos dificuldade para imaginar. Os barcos de madeira calafetada geralmente eram muito pequenos diante das grandes ondas e dos desafios dos fortes ventos. Outra grande obstáculo que estes primeiros navegantes enfrentaram era o desconhecimento dos mares e dos continentes como os possuímos hoje.

A cartografia que indicava quais eram as terras existentes e as condições de navegabilidade era inexata e lacônica. Os viajantes necessitavam de provisões, para que pudessem concluir o propósito que os havia feito embarcar. Entretanto, como prever a duração de viagens para terras que eram desconhecidas? Pior ainda, como chegar ao destino planejado quando o conhecimento que se tem sobre a rota está equivocado? Por esta razão, os navegantes enfrentaram a morte a cada viagem que realizaram, especialmente para lugares onde jamais haviam navegado anteriormente. As amigas fiéis dos navegantes eram as estrelas. Elas garantiam que os capitães das embarcações não haviam abandonado as rotas previstas e se enveredado por regiões que os conduziriam permanentemente para a perdição de sua embarcação e da vida dos tripulantes. As noites nubladas e de calmaria davam a sensação de que a sorte havia abandonado os pobres navegantes à um destino cruel, para o qual, a sua imaginação não era capaz de conceber. O aparecimento das estrelas era a referência de que eles não estavam sozinhos no meio dos grandes oceanos. O seu brilho trazia de volta a certeza de que, diante de um imenso desconhecimento sobre as grandes águas, havia uma direção que habitava os céus há milhões de anos. Como nós precisamos de referências! Como necessitamos da certeza de que não estamos completamente perdidos dos ideais e das trajetórias que propusemos trilhar, quando iniciamos nossa jornada! Como é fácil nos perder das razões que nos fizeram embarcar. As intempéries provocam um motim em nossa alma que levará o barco de nossa história ao naufrágio. Era este o momento que os discípulos de Jesus estavam vivendo. Depois de uma mensagem cheia da verdade eterna de Deus, a Bíblia nos diz que muitos dos discípulos de Jesus deixaram de segui-lo por causa de suas palavras. Os seguidores do Mestre estavam diante de um aparente motim. As palavras de Jesus trouxeram um confronto acerca das realidades espirituais, para as quais, os aprendizes não pareciam estar prontos. Alguns deles afirmaram que o discurso de Jesus havia sido duro, de maneira que eram incapazes de ouvi-lo. Foi nesta situação de incerteza que Pedro afirmou que Jesus era a sua referência. Sem Ele, eles não possuíam mais um destino, uma direção. Eles precisavam dele como necessitavam da própria água. Ele era o pão da vida. Eles não podiam voltar atrás, para a velha religião de costumes e de aparência. Eles só precisavam que Jesus estivesse ao seu lado para encontrar o caminho para andar com Deus. Depois de conhecê-lo, sua vida não teria outra referência, outra direção, senão a presença de Deus por todos os dias, sem fim. Uma vez que, Jesus tornou-se o seu único caminho, seus corações estavam preparados para segui-lo, não importando a dureza ou leveza de Suas palavras. Eles o seguiriam porque seus corações passaram a ser guiados por Seus ensinos, por Sua presença.


“Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar- vos? Respondeu- lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.” João 6.67-69

Eli Moreira

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