A fera em mim

Amamos os espelhos porque eles nos mostram o que gostaríamos de ser. Não somos capazes de ficar a sós com nosso espelho para vermos quem realmente somos. Geralmente, olhamos o nosso reflexo, estamos à procura de ver algo que não está lá, mas, que desejamos muito que estivesse. Gostaríamos de ficar mais magros, mais elegantes, mais cultos, mais cheios de realizações. Procuramos ver em nós alguns destes desejos, mas, nem sempre eles se encontram em nós.

Não sabemos o quanto é difícil poder olhar para dentro de nós! Não é incomum, o fato de não sermos capazes de reconhecer os erros que nós cometemos e que estão visíveis aos olhos de todos, menos aos nossos próprios olhos. Quantos equívocos seriam evitados, se fôssemos capazes de diagnosticar, o mal que está nos consumindo dia após dia. Entretanto, esta compreensão de quem realmente somos é muito rara e, são poucas as pessoas que são capazes de ter uma visão clara de suas virtudes e limitações. E o que diremos sobre a visão dos cantos escuros de nosso temperamento? O que diremos sobre as deformações de nossa história de vida? O que falar sobre os constantes erros que estamos cometendo, desde que existimos? Haveria retorno para um desvio tão prolongado de atalhos que foram tomados por nossos pais, quando ainda éramos somente pequenos embriões? Conseguiremos deixar de perpetuar os erros desde que viemos a existência? Dentre todas as coisas terríveis que deveríamos confessar para nós mesmos, reside o fato de que existe em nosso temperamento um lado sombrio. Lado este, que negaremos sempre que formos abordados. Mentiremos inconscientemente para nós mesmos, pelo resto de nossas vidas. E por esta razão, nunca mudaremos.E para piorar a nossa situação, a religião pode se prestar ao serviço de nos esconder. Não digo que a boa religião, que nos liga a Deus possa se prestar a este trabalho, mas, as crenças que afirmam que todas pessoas vivem de maneira correta, mesmo que elas não vivam. Observe como nos concentramos em transformações de fora para dentro, ou seja, transformações que sejam visíveis para os outros, e que mostrem para todos que aparentemente mudamos, que somos novas pessoas, que não agimos como anteriormente, errando de maneira obstinada. Agora dizemos que ouvimos aos outros, consideramos suas críticas, e estamos num processo evidente de transformação! Daqui para frente
tudo será diferente! Será que isto é verdade.... A Bíblia afirma que existe um velho homem dentro de nós que luta contra toda transformação espiritual. Um homem que resiste ao toque transformador de nosso Deus. Esta fera que negamos existir dentro de nós,
fala coisas que jamais admitiríamos em público, é capaz de ter atitudes tão vis, que desmentiríamos com uma facilidade inimaginável. Ela fere as pessoas e a nós mesmos. Ataca e destrói. E depois se deita debaixo de uma árvore qualquer, dizendo que tudo é uma questão de instinto. Como evitar? Nasci com o pavio curto! Digo o que penso! Já não era capaz de sustentar esta situação sem reagir! Diversas atitudes são norteadas pela fera que vive secretamente em nós? Quantas decisões tomamos apoiados nos impulsos tenebrosos das sombras da nossa alma? Até quando negaremos a existência desta fera dentro de nós? Até quando sofreremos as consequências de uma vida de fingimento, de que somos novas pessoas? Só existe uma decisão que nos compete tomar diante da realidade descrita - aceitarmos que a morte de Cristo foi realizado por nós e em nosso lugar. Ele morreu e nós morremos com Ele. Todos os dias, continuamos morrendo com Ele, porque a Sua Cruz é a nossa cruz. Assim, a fera finalmente será vencida dentro de nós, através da nossa morte com Cristo, e da nova vida que surge através de nossa ressurreição com Ele.

Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos. Zacarias 4.6

Eli Moreira

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